quinta-feira, março 22, 2007

Erro estratégico do PSD!

Ao defender o desagravamento dos impostos o PSD está nitidamente a comprometer qualquer hipótese, se é que ainda a tinha, de vencer as próximas eleições legislativas.

Senão vejamos, neste momento baixar os impostos, sem o deficit devidamente consolidado abaixo dos 3%, seria um verdadeiro tiro no pé para o próprio PS. Como é que eles iriam explicar ao eleitorado, que paravam de correr antes de chegar à meta? Então e se a expectativa de crescimento económico por via da redução dos impostos ficasse aquém do esperado e o deficit aumentasse de novo? Não poderia o povo fazer a sacramental pergunta: Para que é que andamos a apertar o cinto? Além de que, com o plano de reformas, encerramentos de serviços e afins, não lhes é conveniente baixar agora os impostos. Preferem mais 2 orçamentos de rigor cego, que lhes fará certamente atingir a meta dos 3%, até porque já o reviram em baixa para este ano (3,3%), o que lhes dará margem de manobra para anunciar a dita redução em 2009 (ano de eleições legislativas), sem poderem ser acusados de falta de credibilidade e rigor, e com isso garantirem mais uma maioria absoluta. Logo ao PS não convêm baixá-los agora.

Já quanto ao PSD, esta deveria ter sido a análise feita.
Ao invés optam pela via tipo comunista, de exigir uma redução da carga fiscal. Com esta estratégia, não ganham eleitorado, nem fazem bem ao país e sobretudo prejudicam o PSD. Com esta estratégia, possibilitaram ao PS acusar-nos de falta de credibilidade. Ao usarmos já o argumento das manobras eleitoralistas, gastamos cartuxos que certamente nos farão falta quando chegar a altura da campanha eleitoral.
Ao usarmos este argumento perdemos credibilidade perante aqueles que mesmo com todo o (des)governo socialista, ainda lhes dão a vitória, à luz das sondagens, levando até a que alguns sectores da opinião pública nos acusem de irresponsáveis.

Se o PSD acreditasse mesmo que poderia vir a ser governo em 2009, nunca falaria desta questão a 2 anos do acto eleitoral. Esperaria pela mais que certa redução de impostos perto dessa altura e ai sim, teria toda a legitimidade para denunciar as medidas eleitoralistas. Se o PSD acreditasse mesmo que poderia vir a ser governo em 2009, calava-se, publicitava essa redução como a grande bandeira da sua campanha eleitoral, (tal como fez o PS), e assim que fosse governo, baixava imediatamente os impostos, cumprindo o prometido, ao invés do PS, que fez o que não prometeu. Cumprir o programa eleitoral e as promessas, isso sim revelaria a nossa credibilidade.

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9 Criticas:

  • É uma teoria sobre a estratégia, mas dou-te outra. Ao falar agora de medidas eleitoralistas, pode estar a retirar margem de manobra ao PS, para as fazer no futuro. Já pensaste nisso?

    Por Anonymous Anónimo, a 22 março, 2007 10:32  

  • Causa-me alguma surpresa, as palavras de Manuela Ferreira Leite, ao vir a público desdizer as propostas do seu líder de partido Marques Mendes anunciadas em recente intervenção política. Não tanto pelo facto do manifesto de uma opinião discordante mas, porque a questão em causa estar longe de ser considerada indiscutível.
    Compreendo no entanto e de certo modo, este ímpeto, este desejo de Ferreira Leite em se mostrar solidária com Sócrates relativamente ao não abaixamento de impostos.
    Afinal, tanto o actual ministro das Finanças Teixeira dos Santos, como ela própria, quando no anterior governo ocupava idênticas funções, praticam a mesma politica e a mesma receita, na tentativa de atenuação do Défice Público, só se distinguindo pela expressão que deram às suas medidas.
    Essa politica, comum aos dois governos, resumia-se a tentar combater a Despesa Pública com o aumento da Receita Pública através do agravamento de impostos e da redução das condições sociais dos cidadãos.

    Ferreira Leite aumentou o IVA de 17 para 19%, Teixeira dos Santos aumentou o IVA de 19 para 21%; Ferreira Leite congelou salários, Teixeira dos Santos congelou salários; a Despesa Pública Corrente do Estado (DPC) aumentou com Ferreira Leite, a DPC aumentou com Teixeira dos Santos. Só diferem em termos de escala. Mas tanto Ferreira Leite no passado como Teixeira dos Santos no presente se mostram incapazes de combater com eficácia o verdadeiro monstro da economia nacional, o excessivo valor da DPC. Se é certo que a anterior ministra viu subir ano após ano a DPC, o ministro de Sócrates foi incapaz de diminuir em 2006 esta despesa. Gastaram-se mais milhões de euros em 2006 com a DPC do que em 2005.

    O verdadeiro desígnio nacional de qualquer governo será seguramente fazer regredir a DPC para valores aceitáveis.
    A diminuição do Défice Público sem a diminuição da DPC significará sempre novos aumentos de impostos e mais cortes nas condições sociais da população e no Investimento Público. É esta a política do actual governo.
    Mas com os brutais agravamentos dos impostos e os não menos brutais cortes sociais (encerramento de maternidades, hospitais, congelamento de salários, aumento das taxas moderadoras, etc) e a redução não menos drástica do Investimento Público, terá o governo conseguido um acréscimo de Receita Pública de 1,5% do PIB para além do previsto em Orçamento de Estado.

    Menos de metade destas verbas já arrecadadas dariam para descer o IVA para 19% e o IRC para 22%. E sabendo quanto grave se torna para o desenvolvimento económico o IVA e o IRC demasiado elevados, as propostas do PSD são a meu ver justificadamente correctas e oportunas. Seria certamente um estímulo interessante para a nossa economia que tarda em arrancar.
    Irresponsável, senhor Sócrates, será não combater a Despesa Pública Corrente e deixá-la sem freio. O Défice Público deverá ser diminuído não à custa de impostos ou redução de Investimento ou cortes sociais, mas antes com a redução efectiva da Despesa Pública Corrente. E isto é o que o senhor e os seus ministros se mostram incapazes de realizar.

    Por Blogger Carlos Sério, a 22 março, 2007 21:38  

  • Todos conhecemos pessoas que falam, falam , falam e não dizem nada.

    MM deu ontem um exemplo daquilo que acabo de escrever.

    Devia mudar de estrategia que deveria ser a seguinte: não falam, não falam, mas dizem alguma coisa.

    Pareceu-me no debate de ontem, que o Sócrises só não lhe deu mais, porque não quis, ou então seguiu o raciocínio de um cão, que para de morder quando o outro levanta as patas.

    Não mudem depressa, que vão ver a "rabecada" que levam em 2008

    Por Anonymous Anónimo, a 22 março, 2007 22:40  

  • o irc deve descer para 20%. a tx dita normal de iva deve baixar para 17%. deve-se trazer para dentro do sistema os milhões de euros da economia paralela, tem de emagrecer o estado....... na minha humilde forma de ver as coisas...
    apesar desta descida de impostos creio que manteriamos com toda a certeza a mesma receita.. bastava acabar com a economia paralela..

    Por Blogger adrianeites, a 23 março, 2007 23:22  

  • A economia não cresce. Estamos a pagar impostos a mais. Logo baixem-se os impostos. Estamos fartos das teorias de merceeiro de alguns economistas da treta.

    Por Anonymous Anónimo, a 25 março, 2007 18:13  

  • Meu caro tu que defendes a coligação com o PS do teu patrao Isaltino com o PS não tens qualquer autoridade moral ou politica para falares sobre a qualidade da oposição do PSD

    Por Anonymous Anónimo, a 25 março, 2007 22:11  

  • São tão básicos e tristes os vossos argumentos, que até metem dó. Será que não conseguem comentar um só post, sobre o tema em questão?

    Por Blogger Consciência Critica, a 25 março, 2007 22:43  

  • A BEM DA VERDADE importa dizer que:
    1-A dra Ferreira Leite já advogou e praticou a descida de impostos, mesmo com défice;
    2 - A competitividade das empresas (nacionais e estrangeiras) passa pelo IRC e pelo IVA;
    3 - Antevendo-se uma subida do IVA em Espanha, seria inteligente reduzir o IVA em Portugal, era uma forma de reduzir o enorme fosso entre os dois países;
    4 - A redução do défice não se pode fazer através do lado da receita mas sim da despesa. Este é o único método consistente e duradouro.
    A BEM DA VERDADE

    Por Anonymous Anónimo, a 28 março, 2007 00:53  

  • Aconselho-o a ler o post que fiz hoje, sobre este assunto. Ficará por certo mais convicto de que estrategicamente a sua argumentação, por muito que seja verdadeira, (que é), é simultaneamente um tremendo erro politico.

    Por Blogger Consciência Critica, a 28 março, 2007 01:07  

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