Ao defender o desagravamento dos impostos o PSD está nitidamente a comprometer qualquer hipótese, se é que ainda a tinha, de vencer as próximas eleições legislativas.
Senão vejamos, neste momento baixar os impostos, sem o deficit devidamente consolidado abaixo dos 3%, seria um verdadeiro tiro no pé para o próprio PS. Como é que eles iriam explicar ao eleitorado, que paravam de correr antes de chegar à meta? Então e se a expectativa de crescimento económico por via da redução dos impostos ficasse aquém do esperado e o deficit aumentasse de novo? Não poderia o povo fazer a sacramental pergunta: Para que é que andamos a apertar o cinto? Além de que, com o plano de reformas, encerramentos de serviços e afins, não lhes é conveniente baixar agora os impostos. Preferem mais 2 orçamentos de rigor cego, que lhes fará certamente atingir a meta dos 3%, até porque já o reviram em baixa para este ano (3,3%), o que lhes dará margem de manobra para anunciar a dita redução em 2009 (ano de eleições legislativas), sem poderem ser acusados de falta de credibilidade e rigor, e com isso garantirem mais uma maioria absoluta. Logo ao PS não convêm baixá-los agora.
Já quanto ao PSD, esta deveria ter sido a análise feita.
Ao invés optam pela via tipo comunista, de exigir uma redução da carga fiscal. Com esta estratégia, não ganham eleitorado, nem fazem bem ao país e sobretudo prejudicam o PSD. Com esta estratégia, possibilitaram ao PS acusar-nos de falta de credibilidade. Ao usarmos já o argumento das manobras eleitoralistas, gastamos cartuxos que certamente nos farão falta quando chegar a altura da campanha eleitoral.
Ao usarmos este argumento perdemos credibilidade perante aqueles que mesmo com todo o (des)governo socialista, ainda lhes dão a vitória, à luz das sondagens, levando até a que alguns sectores da opinião pública nos acusem de irresponsáveis.
Se o PSD acreditasse mesmo que poderia vir a ser governo em 2009, nunca falaria desta questão a 2 anos do acto eleitoral. Esperaria pela mais que certa redução de impostos perto dessa altura e ai sim, teria toda a legitimidade para denunciar as medidas eleitoralistas. Se o PSD acreditasse mesmo que poderia vir a ser governo em 2009, calava-se, publicitava essa redução como a grande bandeira da sua campanha eleitoral, (tal como fez o PS), e assim que fosse governo, baixava imediatamente os impostos, cumprindo o prometido, ao invés do PS, que fez o que não prometeu. Cumprir o programa eleitoral e as promessas, isso sim revelaria a nossa credibilidade.
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